É válida a mudança pela via política. Até hoje é o meio mais civilizado que temos para aparar diferenças e conciliar interesses diversos.
Talvez possa dar a impressão, mas não tenho repugnância pela política. Seria mais um sentimento de desprezo ou irrelevância, de acordo com a minha visão atual. Por isso critico todo o espectro político de direita, centro e esquerda. Durante muito tempo fui adepto da mentalidade de soluções pela via política e não critico quem partilha destas ideias. Acredito que é bem melhor um político democrata, com todo seus defeitos, do que um revolucionário idealista.
Vc diz que o Brasil precisa de planos políticos para o longo prazo e nisso vc está certíssimo. Então é totalmente compreensível uma aposta política em um grupo que levanta esta bandeira, mesmo com todos os defeitos de seus integrantes. Seria hipocrisia minha dizer que nunca passei pano para as boçalidades dos meus candidatos.
E também não pago de "isentão" elevado que flutua acima dos mortais que se matam por candidato A ou B. Porém, penso que no caso da sociedade brasileira falta algo elementar que vem antes de qualquer plano político. Tive este "insight" lendo justamente um livro que trata e define a política no ocidente chamado "O espírito das leis", de Montesquieu. Nesta obra o autor exalta a república e a democracia e as comparam com outras formas e sistemas de governos. Explica a tripartição de poderes e os princípios que usamos nas democracias modernas. É um tratado de filosofia e política fundamental para a compreensão da sociedade ocidental.
Porém o autor repete diversas vezes: toda esta teoria política só tem aplicação se os cidadãos tiverem "virtudes cívicas". É preciso que existam pessoas virtuosas para a democracia prosperar, senão ela se transforma rapidamente em demagogia e tirania.
Este é o ponto de toda a crítica que faço à política no Brasil: não somos virtuosos como nação e muito menos temos políticos virtuosos. Entendo então que o embate político é gasto de energia inútil diante do atual estado de coisas.
O Olavo tinha este mesmo alinhamento ao pregar que as mudanças sociais primeiro precisam entrar pelo campo moral e cultural para permear a mente dos cidadãos. Somente após esta etapa, com a fixação de bons valores na mente e no imaginário das pessoas, a política seria meio eficiente de mudança e progresso social.
Olhe ao redor de si. Quais são os valores e o imaginário das pessoas em geral? O horizonte cultural e moral delas tem a mesma dimensão do horizonte político da nação. Como falar em política de longo prazo quando os jovens estão fazendo filhos por meio de tábuas de madeira esburacada no baile funk? Quando a moça engravida com a intenção de pegar um aumento de benefício social? Quando o sonho do trabalhador é se encostar na previdência?
Olhe a estética e o urbanismo da sua cidade. De uma cultura contrária à ordem e ao belo pode surgir ordem e progresso?
Pra quem está nessa pegada política, desejo que escolham os menos piores. Eu prefiro ocupar meu tempo aprendendo assuntos que desconheço para sair dos círculos da ignorância e compartilhar o que aprendo com minha família, amigos e círculos de contatos.