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2026-03-19 20:31:11 UTC
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Ecologia Digital on Nostr: Sua camiseta me fez lembrar de uma que #eumesmofiz com trecho de letra do #TheClash: ...

Sua camiseta me fez lembrar de uma que #eumesmofiz com trecho de letra do #TheClash: "Those who fucks nuns, will later join the church". Grato por ativar nossa veia #punk! Vamos virar essa chave!!

Em BSB no início dos 80, na tchurma de #RenatoManfrediniJr. (o Russo), todos tinham que ter uma banda. Aqui vai um registro da #Banda69, a minha, no podcast da lenda #PhilippeSeabra, guitarra e voz da #PlebeRude (Programa #CapitaldoRock).

https://josemurilo.com/2025/05/13/banda-69-programa-capital-do-rock-com-philippe-seabra/

Banda 69 (Marcelo, Murilo, Militão e Rodrigo) de saída para mais uma festa Beatles nos anos 80 —
uma série de eventos onde tocávamos Beatles sem parar..**O** colega **Philippe Seabra**, lendário guitarrista da **Plebe Rude**, realiza o ótimo programa **Capital do Rock** na Rádio Justiça, e no início deste ano fez um programa especial com a **Banda 69**, na qual tenho orgulho de ter participado.

Para quem quer conhecer essa banda dos **anos 80 em Brasília**, este é o melhor review!
E também uma ótima lembrança do período em que o **Rock Brasiliense** mobilizou uma galera em torno daquela figura marcante que é **Renato Manfredini Jr., o Russo**, para definir Brasília culturalmente.

Mais abaixo vai a transcrição das falas de **Philippe Seabra**, a lenda, onde ele faz uma breve apresentação da **Banda 69** no contexto das bandas de rock de Brasília nos anos 80, e sua ligação com **Renato Russo** e o **Aborto Elétrico**.

https://soundcloud.com/josemurilo/banda69-programa-capital-do-rock-com-philippe-seabra

“Fala, pessoal. Eu sou o **Philippe Seabra**, guitarrista e vocalista da **Plebe Rude**, produtor musical e de trilhas sonoras, e idealizador e curador da **Rota Brasília-Capital do Rock**. Estou aqui na **Rádio Justiça 104,7 FM** com o programa **Capital do Rock**, um passeio pelas influências nacionais e internacionais que ajudaram a inspirar o rock de Brasília a se tornar a essência fundamental do rock brasileiro.

Hoje o programa **Capital do Rock** traz uma banda de Brasília da década de 80 que começou a carreira praticamente junto com o **Aborto Elétrico**, nos corredores da **Universidade de Brasília** — a **Banda 69.**

O nome, apesar de sugestivo, não é nada disso. Na verdade, o nome veio do ano que os Beatles terminaram, que diz muito a respeito do som que faziam. Até uma versão de Mr. Postman dos **Beatles**, intitulada “Seu Carteiro”, cantavam, com direito a toda a harmonia vocal. É mais uma demonstração de como o **punk de Brasília** era benigno: eles acompanhavam os punks nos shows na universidade, tudo na maior paz.

Eles não tinham nada a ver com os punks. Talvez a coisa mais punk que tinham era o incansável baterista e força motriz da banda, Militão, que conseguia dar uma cabeçada no prato no final das viradas, e o baixista lead vocal, Marcelo, que sabe-se lá porque volta e meia tocava com a transgressora mochila nas costas. O tecladista Rodrigo Lopes, hoje um respeitadíssimo produtor de discos e vencedor de vários Grammys latinos e um Grammy americano (olha aí!), ficava doido porque eu sempre chegava para tocar no seu teclado ali montado durante shows da Arquitetura na UnB, mas com o meu “derrière” [‘traseiro’, em francês] sentado em cima dos teclados enquanto que eu solava na guitarra.

Banda 69, com Papo Sério, Brasília by Night e Maria Gasolina.

**Banda 69** por ocasião da **Temporada de Rock Brasiliense** no **Teatro da ABO**V**ocê está ouvindo “Capital do Rock”, apresentação: **Philippe Seabra**.**

Hoje o programa “**Capital do Rock**” traz o som alegre e despretensioso da **Banda Meia Nove**, uma banda de Brasília que começou tocando nos corredores da UnB, acompanhando uma também nascente Aborto Elétrico.

O contato do **Militão** com a “tchurma”, termo carinhoso que o **Renato Russo** usava para descrever os membros e adjacentes das primeiras bandas punk de Brasília, foi no primeiro semestre da **UnB**, quando fui colega do **André X**, fundador da **Plebe Rude**, nas turmas que todos os calouros compartilhavam no curso básico de humanas.

A **Banda 69** estava começando e passara a acompanhar as bandas punks nos shows na universidade, apesar do som completamente oposto, mais para **Beatles** do que qualquer outra coisa. Mas a convivência era pacífica e era mais um exemplo do **punk benigno** que era o punk de Brasília.

**Herbert Vianna**, uma vez, chamou a **Banda 69** de “**os Beatles de Brasília**” e, com o trabalho maravilhoso de harmonia vocal que faziam, até chegou a impressionar o **Renato Russo**, que no show de estreia da Banda 69 ficou admirado.

Na época em que no Brasil terminava um ciclo político pesado, ser alegre, ser irreverente, criticar com bom humor e fazer festa era uma atitude política também, atitude que não faltava na turma da Banda 69.

Banda Meia Nove com 434, Clotilde no Banho e Negação.

Renato Manfredini Jr. (o Russo) em noite de segunda-feira no Teatro Galpãozinho – Feira de Música, Brasília (1981)Hoje, o programa **Capital do Rock** traz o som inconfundível da **Banda 69**, banda que nasceu praticamente junto com o Aborto Elétrico em 1980. A **Banda 69** tocou a partir de 81 na **UnB**, em memoráveis festas na Faculdade de Arquitetura, onde dividiu o palco com o **Aborto Elétrico**, a **Blitz 64 **e a **Plebe Rude**. Isso rendeu um convite para um show no Bar Universitário em Goiânia, junto com o Aborto Elétrico; que foi a primeira vez que o rock oitentista de Brasília saiu do DF.

Em **1983**, a **Banda 69** participou da primeira **Temporada de Rock Brasiliense no Teatro ABO**, aquele mesmo clássico que reuniu **Legião Urbana**, **Capital Inicial**, ainda com a **Heloísa Helena** nos vocais, a **Plebe Rude** e o **XXX**, futuro **Escola de Escândalo**. Só que eles fizeram um show solo, num final de semana separado dos punks, mas com a casa completamente lotada em três sessões memoráveis.

O encontro de **Marcelo Carvalho Oliveira**, baixo e voz; **Murilo Carvalho**, guitarra e voz; **Rodrigo de Castro Lopes**, piano e sintetizador e voz; e **Militão Ricardo**, bateria e voz, aconteceu em 1980, logo após o Festival de Música do **Colégio Dom Bosco**, onde todos estudavam. A **Banda 69** chegou a uma gravadora grande através do **Léo Jaime**, que não só levou a fita demo para sua gravadora, como acabou produzindo o disco de estreia do grupo pela **gravadora CBS**, que acabou encerrando a carreira em 1986, com Marcelo e Rodrigo. Murilo saiu em 84 e o Militão em 85. Apesar de não existir mais, a **Banda 69** deixou saudade e tem seu lugar no panteão das grandes bandas do rock da Capital Federal. E olha aí, são todos amigos até hoje, coisa rara no mundo do rock and roll.

**Banda 69**, com **O Policial e a Manifestante**, **Disputa Sobre Rodas** e **Negação**, gravado ao vivo, realizado no único show de reunião da Banda 69 com a formação original em 2013, com a participação especial de Miguel Peixe, filho do guitarrista José Murilo Carvalho, na guitarra solo.

Banda 69, o reencontro, com a participação do Miguel Peixe, filho do José Murilohttps://www.youtube.com/watch?v=TSLJndr7C2o

Você está ouvindo “**Capital do Rock**“, apresentação: ****Philippe Seabra****.

Lembra do filme “**Quase Famosos**“? Ao herdar os discos da irmã mais velha, o irmãozinho encontra o recado que dizia: “Acenda uma vela ao escutar **Tommy** e **The Who**, e você verá seu futuro inteiro.” É mais ou menos isso. Obrigado pela atenção e, por que não, pela audiência. Até a semana que vem, onde continuarei a mostrar as músicas que ajudaram a inspirar o rock de Brasília a se tornar o alicerce fundamental do rock brasileiro.